Em depoimento, o Hacker Walter Delgatti Neto contou à Polícia Federal como invadiu as contas do aplicativo de mensagens Telegram do ministro Sérgio Moro (Justiça) e de outras autoridades. O suspeito está preso.
O repórter Mahomed Saigg, da TV Globo, teve acesso com exclusividade ao depoimento.
No depoimento, Walter Delgatti Neto:
- conta como chegou aos arquivos de Deltan Dallagnol;
- revela que a ex-deputada federal Manuela d´Ávila (PCdoB) foi a intermediária entre ele e o jornalista Glenn Greenwald, do Intercept, que começou a publicar o conteúdo das mensagens em 9 de junho;
- diz que não recebeu nenhum dinheiro em troca do diálogo;
- e diz que sempre se comunicou com Glenn de maneira virtual, sem revelar a própria identidade.
Desde junho, o site Intercept Brasil, do jornalista Glenn Greenwald, publica reportagens com trechos de diálogos atribuídos ao ministro da Justiça, Sérgio Moro, ex-juiz federal, e a integrantes da força-tarefa da Operação Lava Jato. O site não revelou a fonte nem como obteve os registros das conversas.
Walter Delgatti Neto e outros três suspeitos foram presos na última terça-feira (23), apontados como responsáveis pela invasão de telefones de autoridades. Segundo a Polícia Federal, mais de mil pessoas podem ter sido alvos do grupo.
De acordo com a transcrição do depoimento, concedido no último dia 23 ao delegado Luiz Flavio Zampronha, na sede da Polícia Federal em Brasília, ele disse que não editou os diálogos e que não conseguiu obter nenhum conteúdo das contas de do ministro Sergio Moro no aplicativo Telegram.
Acrescentou, ainda, que, por meio de um sistema de armazenamento de arquivos em nuvem, enviou os registros das conversas ao jornalista Glenn Greenwald, do site The Intercept.
"[Walter Delgatti disse] que pode afirmar que não realizou qualquer edição dos conteúdos das contas de Telegram das quais teve acesso. [Acrescentou] que não acredita não ser possível fazer a edição das mensagens do Telegram em razão do formato utilizado pelo aplicativo", diz trecho do depoimento.
Em outro trecho, Walter Delgatti Neto também disse que não recebeu dinheiro para hackear os telefones de autoridades e que "não exerce nenhuma profissão remunerada, obtendo seus rendimentos de aplicações financeiras que possui".
"Perguntado como obteve recursos para compor suas aplicações financeiras, afirmou não saber", diz trecho do depoimento.
Fonte: Gazeta Web