
O prefeito de Salvador e presidente do Democratas, Antonio Carlos Magalhães Neto, 41 anos, diz ser “muito difícil” realizar as eleições para prefeitos e vereadores em outubro caso o coronavírus continue avançando em maio e junho.
“Vai ser possível ter eleição ou não? Essa discussão vai ter que começar agora”, afirma. “Minha vontade é que a eleição possa acontecer em outubro”, diz. Prorrogar mandatos para coincidirem com o pleito de 2022 seria “péssimo para a democracia” e “inconstitucional”, afirma ACM Neto, como é conhecido o neto do político baiano Antonio Carlos Magalhães (1927-2007).
O prefeito soteropolitano também diz que as acusações do ex-ministro Sergio Moro contra Jair Bolsonaro são graves, mas precisam ser provadas. Diz não enxergar clima para impeachment. Afirmou que o Carnaval em sua cidade está ameaçado pelo coronavírus e que Bolsonaro e Doria travam uma disputa irresponsável.
ACM Neto deu entrevista ao jornalista Fernando Rodrigues, apresentador do programa Poder em Foco, uma parceria editorial do SBT com o jornal digital Poder360.
“O problema maior não é o dia da votação, você pode dizer que a votação não vai ser em 1 dia, vai ser em 4. Não vai ser em 1 final de semana, vai ser em 2, em 3 finais de semana. Tudo isso dá para fazer. Estabelecer regras por letra, por distanciamento. Aumentar o número de colégios eleitorais”, diz, citando formas de evitar aglomerações nas sessões eleitorais.
A principal questão, segundo ACM Neto, é como fazer campanha. “Muitos vão responder: ‘A campanha vai ser digital’. Por internet, mídias sociais e pela televisão. E como é que faz no município pequeno, que não tem retransmissora de televisão, que não tem emissora de rádio, que não tem banda larga para acesso à internet?”, questiona.
“Eu não tenho condição ainda de dar 1 veredicto. Mas, se a projeção do coronavírus se confirmar, com 1 agravamento ao longo de todo o mês de maio, ao longo do mês junho, para todas as regiões do país, caso isso aconteça, os números se confirmem, acho muito difícil ter eleição em outubro”, declara o presidente do DEM.
A data da eleição pode ser alterada por meio da aprovação de uma PEC (proposta de emenda à Constituição) no Congresso. Prorrogação de mandato é tida como impossível no meio político. ACM Neto, por exemplo, acha a prorrogação inconstitucional. É que os eleitores elegeram prefeitos para mandatos de 4 anos. O Congresso não tem poder para alterar a vontade dos eleitores.
O presidente do DEM fala, ainda, sobre a tentativa do presidente Jair Bolsonaro de criar uma base de apoio no Congresso Nacional. Desde a posse, em 2019, a relação entre governo e Legislativo tem sido conflituosa.
As conversas do Planalto com PSD, PP, PL e Republicanos envolvem a indicação de aliados dos caciques partidários para cargos no 2º escalão da administração pública.
“É importante destacar que cada 1 teve sua conversa e cada 1 teve seu objetivo. Nós, do Democratas, não admitimos negociação de cargos”, afirma o prefeito. Ele esteve com Bolsonaro, e diz que o presidente nem tocou no assunto.
O prefeito diz que seu partido não é inimigo do governo: “Se não fosse pelo Democratas não teria reforma da Previdência”. Afirma que a legenda está disposta a colaborar com 1 “diálogo de alto nível”.
ACM Neto diz que discorda das declarações de Jair Bolsonaro sobre o coronavírus. O presidente da República minimiza a pandemia e é contra o isolamento social. “Isso não quer dizer que eu ache que devemos isolar o governo federal. Não. Devemos conversar”, fala o prefeito de Salvador.
“Existem ainda 2 anos e 7 meses pela frente do governo. Isso é uma eternidade. É muito tempo pela frente. Não dá para a gente estar agora defendendo ou conspirando com teses golpistas”, diz o cacique demista.
Depois da saída do ex-ministro da Justiça Sergio Moro do governo, aumentou a pressão para que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), correligionário de ACM Neto, dê andamento a 1 processo de impeachment contra Jair Bolsonaro.
Moro afirmou que Bolsonaro pretende interferir politicamente na Polícia Federal. Também disse que não assinou 1 documento que saiu com seu nome no Diário Oficial da União. Tratava-se da exoneração do ex-diretor-geral da PF Maurício Valeixo, ligado a Moro e pivô de sua saída do governo.
O prefeito diz que as afirmações do ex-ministro são graves. Mas ressalva: “Essas acusações vão estar fundamentadas com algum elemento que as comprove? É isso que precisamos saber. O STF já determinou o avanço das apurações”.
De acordo com o presidente do DEM, a investigação deve ser no Judiciário. Atualmente, diz, não é momento para uma CPI (comissão parlamentar de inquérito) ou processo de impeachment.
“Não há ambiente nenhum nesse momento para que o Congresso dê seguimento a 1 processo de impeachment contra o presidente”, analisa.
“É surreal a gente já ter que viver uma crise de saúde, a mais grave de todos os tempos. Talvez a mais grave crise econômica que o país já viveu. E ainda ter que viver uma crise política. É algo surreal. Mas acho que nesse momento não há elementos para a gente avançar no processo de impeachment”, diz.
Fonte: Poder 360