Papa Francisco aceita renĂșncia de arcebispo chileno acusado de encobrir abusos sexuais
O papa Francisco aceitou a renúncia do arcebispo de Santiago do Chile, Ricardo Ezzati, suspeito de encobrir casos de abusos sexuais no seu país. Ezzati era uma das figuras religiosas mais reconhecidas no país latino-americano.
Segundo a agência EFE, a Santa Sé informou em comunicado, neste sábado (23), que o pontífice aceitou a renúncia apresentada pelo cardeal, sem dar mais detalhes.
Para o lugar de Ezzati, o papa Francisco nomeou como administrador apostólico, em "sede vacante", o monsenhor Celestino Años Braco, que vinha atuando como bispo de Copiapó, cidade localizada no norte do Chile.
Os bispos devem apresentar as renúncias ao papa ao cumprirem 75 anos, mas, a saída do cardeal, que tem 77, aconteceu em meio a denúncias. Em julho do ano passado, promotores chilenos chamaram Ezzati de suspeito de encobrir abusos sexuais infantis cometidos por membros da Igreja Católica e o convocaram para depor. Ezzati alegou inocência.
"Estou certo de que nunca encobri ou obstruí a Justiça e cumprirei minhas responsabilidades como cidadão para fornecer todos os antecedentes necessários para chegar à verdade", disse o então arcebispo.
O papa Francisco fez uma polêmica visita ao Chile em janeiro de 2018. Em abril enviou uma carta aos bispos chilenos em forma de mea culpa, na qual reconhecia "erros de avaliação" sobre o escândalo na igreja do Chile.
Depois de ouvir as vítimas, o papa convocou todos os bispos chilenos ao Vaticano em maio de 2018 para três dias de reflexão. Após o encontro, todos os bispos do país renunciaram. Desde então, o papa aceitou sete pedidos de demissão.
Denúncias investigadas
De 1960 até agora, o Ministério Público chileno tomou conhecimento de ao menos 266 vítimas de abusos sexuais cometidos por membros da Igreja católica chilena. Entre eles, 178 eram crianças ou adolescentes. Atualmente, há dezenas de investigações em andamento no país.