Milhares de iranianos se despedem de general morto
Milhares de pessoas vestidas de preto encheram as ruas de Teerã nesta 2ª feira (6.jan.2019) nas cerimônias em homenagem ao principal comandante militar iraniano Qassim Soleimani, morto em 1 ataque americano em Bagdá. Segundo a televisão estatal iraniana, a cifra de participantes chegou a milhões. O governo decretou feriado na capital iraniana, para que o maior número possível de pessoas possa participar do ato.
Empunhando retratos do militar, a multidão se reuniu na Universidade de Teerã antes que o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, presidisse orações pelo general morto.
Soleimani, de 62 anos, era líder da poderosa Força Quds da Guarda Revolucionária iraniana, unidade de elite responsável pelo serviço de inteligência e por conduzir operações militares secretas no exterior. Ele foi morto em 1 ataque americano com 1 drone que atingiu o veículo em que estava nas imediações do aeroporto de Bagdá. O assassinato aumentou as tensões entre os arqui-inimigos Teerã e Washington.
O Irã disse no domingo que deixará de cumprir “quaisquer limitações” impostas ao programa nuclear do país pelo acordo assinado em 2015, já enfraquecido desde que os EUA se retiraram unilateralmente do pacto em maio de 2018.
A multidão em Teerã mostrada pela televisão estatal parecia ser o maior desde o funeral do fundador da República Islâmica, aiatolá Ruhollah Khomeini, em 1989.
Khamenei pareceu chorar enquanto rezava diante dos caixões cobertos de bandeiras que continham os corpos de Soleimani e outros cinco “mártires” mortos no ataque americano. A voz do líder falhou de emoção quando ele orava, forçando-o a fazer uma pausa.
O líder supremo foi ladeado pela filha de Soleimani, o substituto do general morto como comandante da Força Quds, Esmail Qaani, o presidente iraniano, Hassan Rohani, o presidente do Parlamento, Ali Larijani, e o principal comandante da Guarda, general Hossein Salami.
“As famílias de soldados americanos no Oriente Médio passarão os dias esperando a morte de seus filhos”, disse a filha de Soleimani, Zainab. “O louco do Trump que não pense que tudo acabou com o martírio de meu pai”, acrescentou. Zainab também afirmou que os Estados Unidos e seu aliado Israel enfrentarão 1 “dia sombrio” em resposta à morte do general.
As pessoas rezaram junto com Khamenei e gritavam “morte aos EUA”. Um cartaz erguido por uma das pessoas dizia “é nosso direito buscar uma vingança severa”, ecoando comentários de líderes políticos e militares iranianos.
Muitos iranianos consideravam Soleimani, que era veterano da guerra de oito anos contra o Iraque, 1 herói nacional. Ele era amplamente considerado como a segunda figura mais poderosa do Irã depois de Khamenei.
Fonte: Poder 360