Wassef, Zanin e outros advogados são alvos da Lava Jato por desvio no Sistema S
Desvios de R$ 355 milhões

A Polícia Federal deflagrou nesta 4ª feira (9.set.2020) a operação E$quema S, 1 desmembramento da Lava Jato, que investiga possível desvio de R$ 355 milhões do Sistema S, sendo que pelo menos R$ 151 milhões foram das instituições do Rio de Janeiro e da Fecomércio-RJ (Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro) por escritórios de advocacia.
A operação é baseada em uma delação premiada de Orlando Diniz, ex-presidente da seção fluminense do Sistema S, que engloba Fecomércio, Sesc e Senac. Ao todo, o juiz federal Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, expediu 51 mandados de busca e apreensão. As ordens são cumpridas no Distrito Federal e em 5 Estados: Rio de Janeiro, São Paulo, Alagoas, Ceará e Pernambuco.
São alvos da operação: Frederick Wassef, que representou a família do presidente Jair Bolsonaro; Cristiano Zanin, advogado do ex-presidente Lula; Ana Tereza Basílio, defesa do governador afastado Wilson Witzel. Lula, Witzel e Martins não são investigados nesta operação.
A operação foi realizada em paralelo a uma denúncia (íntegra – 33MB)do MPF (Ministério Público Federal) contra 26 pessoas por 43 fatos criminosos, incluindo organização criminosa, estelionato, corrupção (ativa e passiva), peculato, tráfico de influência e exploração de prestígio.
Os procuradores apontam a existência de uma organização criminosa integrada essencialmente por advogados “mancomunados” para desviar em benefício próprio e de terceiros valores milionários da Fecomércio, do Senac e do Sesc do Rio de Janeiro.
A denúncia foi aceita por Marcelo Bretas, que tornou todos os investigados em réus. Eis a íntegra da decisão (252KB).
De 2012 a 2018, dos R$ 355 milhões, pelo menos R$ 151 milhões teriam sido desviados em esquema no Rio, liderado por Orlando Diniz. A maior parte foi referente aos valores mensalmente repassados pela Receita Federal ao Senac e ao Sesc em decorrência de contribuição social compulsória incidente sobre a folha salarial dos empresários do comércio, sem prejuízo de outros supostos desvios, de R$ 204 milhões, ainda em investigação.
De acordo com a investigação do MPF (Ministério Público Federal), o esquema possuía como uma das chefes a advogada Ana Tereza Basílio, que supostamente gerenciava 1 sistema de pagamento de propinas a agentes públicos.
O advogado Eduardo Martins, filho de Humberto Martins, novo presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), e o ex-governador do Rio Sérgio Cabral estão entre os denunciados.
Fonte: Poder 360