Na manhã desta quinta-feira 4 de fevereiro, aconteceu um acidênte sem vítimas fatais e apenas danos matérias na Avenida José Carlos Silva no Distrito Industrial de Aracaju, segundo informações do nosso repórter do Jornal da Rio FM 102 Aracaju Alex Azevedo, que esteve no local, o veículo de cor preta seguia em direção ao Terminal D.I.A, quando bateu no canteiro central, feito para ser uma parada de ônibus que pertence a Obra de Mobilidade Urbana da Prefeitura de Aracaju.

Após a colisão o veículo veio a capotar, causando uma interrupção da faixa da direita da Avenida José Carlos Silva, sentido ao centro da cidade, apesar do susto não a informações de vítimas fatais no acidente.
As Obras de Mobilidade Urbana da Prefeitura de Aracaju, que conta com a construção de corredores de ônibus em algumas avenidas da capital, tem sido alvo de críticas por especialistas em mobilidade urbana já a algum tempo.

“Sou totalmente a favor das faixas exclusivas para ônibus, porém, para um corredor de ônibus funcionar deve-se romper barreiras educacionais no trânsito, assim como fiscalizar, educar e principalmente, elaborar um bom Planejamento Urbano. E se não houver uma campanha de educação para o trânsito duradoura continuaremos visualizando muitos motoristas ocupando o espaço do ônibus sem nenhum constrangimento”, ressaltou Magno Rangel.
Obras
Em 2019, a Prefeitura de Aracaju iniciou um processo de recuperação de importantes vias de Aracaju (Augusto Franco, Hermes Fontes, Jardins e Beira Mar) para receber novos asfaltos e pontos de ônibus, vias exclusivas para ônibus, sinalizações e acessibilidade. Porém, para o especialista, parte das reformas ainda favorecem mais os transportes automotivos individuais do que os coletivos.

“Na Beira Mar, o grande recapeamento asfáltico favoreceu, ao meu ver, apenas os usuários do transporte individual, ou seja, para o usuário do transporte público continua do mesmo jeito. Um outro 'corredor' que a prefeitura diz executar é o Jardins, mas demonstra não ser para transporte público e sim para o individual”, opina.
No cronograma da prefeitura, foi recuperada a ciclovia da Avenida Beira Mar, há a execução atual da que fica localizada na Tancredo Neves e há expectativa de obras nas das avenidas Marechal Rondon, Coelho e Campos e José Carlos Silva. Já para a Avenida Augusto Franco, a previsão é de uma nova ciclovia.

Para o professor, a execução das ciclovias são itens importantes para Aracaju, mas o planejamento é incorreto. “Todo estudo de mobilidade urbana deve incluir todos os modais propícios para cidade, e a bicicleta é um deles. Aracaju tem o grande potencial pra ser a ‘cidade da bicicleta’ por ser uma cidade plana e ventilada”, disse.
Especialista sugere melhorias para a mobilidade:
Além das faixas exclusivas e ciclovias, o especialista em mobilidade urbana Magno Rangel apontou outras diretrizes para a melhoria do fluxo nas zonas urbanas:

Plano Diretor
O Plano Diretor está previsto na Lei 10.257/01, conhecida como Estatuto da Cidade, que diz que todos os municípios com mais de 20 mil habitantes devem ter um.
“Aracaju somente conseguiu executar sua última e única revisão do Plano Diretor em 2000 e mesmo assim, uma revisão na qual foi modificada drasticamente na Câmara dos Vereadores na época, ocasionando um descontrole ainda maior no crescimento urbano".
A Prefeitura de Aracaju ainda não se posicionou sobre o atual projeto para a capital.
Planos complementares
“Além do Plano Diretor ser um instrumento importante para o planejamento urbano, existe também os planos complementares que deveriam ser elaborados, amarrando ao Plano Diretor como Plano de Mobilidade, Plano de Saneamento, Plano Ambiental, etc”.
Pirâmide inversa dos modais prioritários
Segundo ele, o correto é seguir a pirâmide inversa dos modais prioritários do Plano de Mobilidade (Plomob) do Ministério das Cidades, “Lá existem diretrizes para execução do Planejamento Urbano priorizando pedestres, ciclistas, transporte público, transporte logístico (carga) e por último, transporte individual”.
Participação popular
“Não se consegue melhorar nada em uma cidade sem um planejamento urbano bem definido e bem estruturado, com estudos bem detalhados e principalmente com audiências públicas. Isso tudo através do corpo técnico da prefeitura que tem pessoas muito bem capacitadas”.
Por: André Menezes