
Por Suzy Guimarães
A submissão é uma chaga, que ainda insiste em permanecer na vida de muitas mulheres. A luta para mudar essa realidade é incessante, porém nem sempre bem-sucedida. Nesse sentido, o Jornal da Rio entrevistou na manhã desta quinta-feira, 29, a advogada e professora da Universidade Tiradentes, Samyle Matos. Ela falou do cenário de agressividade no lar e deu orientações para que as mulheres não abram mão de sua defesa.
“A violência contra a mulher é secular. Não é só da agressão física que estamos falando, mas da moral, psicológica e patrimonial. A mulher não pode continuar submissa, aceitando que seu agressor continue causando danos a sua vida”, disse Samyle. Ela observou que nesse cenário, os filhos também são atingidos a mulher é constrangida e muitas vezes ameaçada. “Fica ainda pior, quando ela é obrigada a manter uma vida sexual com o companheiro baseada em ameaças”, enfatizou a advogada.
Um grave problema, citado por Samyle, se refere ao fato de alguns homens tomarem o patrimônio das mulheres. A advogada observou que algumas delas são impedidas de utilizar seus recursos financeiros, sendo obrigadas a entregar seus ganhos ao companheiro. “Uma senhora me disse que estava para finalizar o divórcio e os companheiro ameaçou quebrar seu celular por ciúmes. Esse domínio sobre os recursos econômicos é uma agressão violenta”, disse Samyle.
A advogada lamentou, que por muitas vezes quem está sendo violentado não percebe o que está perdendo, o que só é visto por quem está de fora. “Há mulheres e também pessoas de opção sexual diferente, que chegam a acreditar que a atitude violenta de seus companheiros é fruto de um grande amor. Muitas mulheres vivem na acomodação de uma vida nada saudável que pode até custar suas vidas”, alertou. Ela enfatizou a necessidade da mulher despertar e ter autoestima para seguir, se preciso, sozinha, de forma independente para ter uma vida melhor.
Sinal Vermelho
Sobre a campanha Sinal Vermelho, a mulher pode fazer um círculo na mão com batom, esmalte ou até uma caneta e mostrar num banco, numa farmácia, Samyle disse que é de grande importância porque a mulher tem a oportunidade de se defender, de pedir ajuda e dar um passo para sair da prisão a que está subjugada em sua casa. Ela atentou que hoje há delegacias especializadas para melhor atender essa mulher, que certamente vive envergonhada pela situação de crise e humilhação a que se submete.